Uma das coleções mais curiosas da história da medicina nasceu da paixão de um cientista japonês pela arte da tatuagem. No início do século 20, o médico e patologista Fukushi Masaichi transformou seu interesse pelo tradicional irezumi — as famosas tatuagens corporais japonesas — em um projeto científico que preservou centenas de peles humanas tatuadas para estudo e documentação.
Formado pela Universidade Imperial de Tóquio e especializado em patologia, Masaichi iniciou suas pesquisas analisando doenças como sífilis. Durante os estudos, percebeu que as tatuagens alteravam ou escondiam marcas deixadas pela enfermidade na pele, descoberta que despertou sua fascinação pelo tema.
A partir de 1907, o médico passou a documentar e preservar tatuagens tradicionais japonesas, especialmente os chamados “body suits”, desenhos que cobrem grande parte do corpo e que ficaram historicamente associados ao irezumi e, em muitos casos, à cultura da yakuza.
Para ampliar seu acervo, Masaichi firmava acordos com voluntários que autorizavam, ainda em vida, a preservação de suas peles tatuadas após a morte. Em alguns casos, ele chegou a financiar a confecção das tatuagens para garantir a continuidade da pesquisa.
No auge do projeto, a coleção reuniu cerca de 2 mil peles tatuadas e mais de 3 mil fotografias. Grande parte desse patrimônio foi destruída durante os bombardeios da Segunda Guerra Mundial, em 1945. Outra parcela desapareceu após o roubo de uma mala que transportava exemplares da coleção durante uma viagem aos Estados Unidos.
Apesar das perdas, aproximadamente 105 peças sobreviveram e foram incorporadas ao Museu de Patologia Médica da Universidade de Tóquio, onde permanecem preservadas até hoje como registros históricos, científicos e artísticos de uma das mais tradicionais formas de expressão cultural do Japão.
Fonte: IG Notícias




