A monumental Basílica da Sagrada Família entrou definitivamente para a história. Após 144 anos de construção, o templo idealizado por Antoni Gaudí tornou-se oficialmente a igreja mais alta do mundo com a instalação da cruz no topo da Torre Central de Jesus Cristo.
Com a conclusão da estrutura externa, em fevereiro de 2026, a basílica atingiu 172,5 metros de altura. O feito ocorre justamente no ano em que se completam 100 anos da morte de Gaudí, responsável por transformar uma obra religiosa em um dos maiores símbolos da arquitetura mundial.
Antes disso, em outubro de 2025, a Sagrada Família já havia superado a histórica Catedral de Ulm, que detinha o recorde desde 1890. A nova marca consagra décadas de inovação, persistência e engenharia de vanguarda.
Muito além da altura, a basílica impressiona pelas soluções criadas por Gaudí. Inspirado na natureza, o arquiteto substituiu os tradicionais apoios externos das catedrais góticas por um sistema interno semelhante ao crescimento das árvores. As colunas se ramificam em diferentes direções, distribuindo o peso da estrutura com eficiência e criando ambientes amplos e leves.
Outro diferencial está no uso dos arcos catenários, formas matematicamente estáveis que permitiram eliminar elementos desnecessários sem comprometer a resistência do edifício. Nas torres mais recentes, engenheiros recorreram a painéis de pedra reforçados com cabos de aço, reduzindo o peso das estruturas e aumentando a proteção contra rachaduras provocadas pelo vento.
A luz natural também foi tratada como parte essencial do projeto. Os vitrais foram posicionados para acompanhar o percurso do sol: tons azulados iluminam o interior durante o amanhecer, enquanto vermelhos e alaranjados dominam o pôr do sol. Próximo aos solstícios, o espetáculo torna-se ainda mais impressionante, com feixes coloridos projetados sobre colunas e abóbadas, criando o efeito imaginado por Gaudí há mais de um século.
A obra também atravessou desafios históricos. Com o fechamento das antigas pedreiras que forneciam o material original, parte das pedras utilizadas passou a ser reaproveitada de edifícios demolidos em Barcelona, preservando a identidade arquitetônica do projeto.
Hoje, a Sagrada Família representa muito mais do que um templo religioso: é a prova de que arte, fé, ciência, matemática e engenharia podem coexistir em perfeita harmonia.
Fonte: IG Notícias






