Clube de várzea é despejado e tem sede demolida após quase 50 anos no Campo de Marte

Jornalismo que preserva a memória, explica os fatos e acompanha as transformações da cidade.

3 Tempo de Leitura
Desocupação do Cruz Foto: Leonardo Zvarick/g1
Highlights
  • Cruz da Esperança, Campo de Marte, futebol de várzea, Samba do Cruz, reintegração de posse, demolição, cultura, São Paulo, parque, comunidade

Grêmio Esportivo Cruz da Esperança deixa área do futuro Parque Campo de Marte após decisão judicial; comunidade lamenta o fim de um espaço esportivo e cultural.

O Grêmio Esportivo Cruz da Esperança começou a ser desocupado nesta quarta-feira (29), após decisão judicial que determinou a reintegração de posse da área ocupada pelo clube no Campo de Marte, na Zona Norte de São Paulo. Horas depois da retirada dos pertences, máquinas iniciaram a demolição da sede, encerrando uma história de quase 50 anos no local.

Fundado como um dos tradicionais clubes de futebol de várzea da capital, o Cruz da Esperança também se consolidou como um importante espaço de convivência e manifestações culturais. Entre as atividades promovidas estavam o conhecido Samba do Cruz, além de rodas de capoeira e práticas religiosas ligadas ao candomblé.

A área integra o terreno onde será implantado o futuro Parque Campo de Marte. Segundo a Prefeitura de São Paulo, a permanência do clube impedia a transferência definitiva do espaço ao Consórcio Cântaro, responsável pela construção e administração do parque por meio de uma concessão de 35 anos.

A administração municipal informou que os demais clubes que utilizavam o local aceitaram acordos para desocupação voluntária, enquanto o Cruz da Esperança teria interrompido as negociações e descumprido notificações para deixar a área. O clube, por sua vez, recusou a proposta por entender que ela não garantiria a continuidade das atividades culturais realizadas na sede.

Antônio de Jesus Marcos, de 71 anos, atual presidente do

Cruz e membro do clube desde 1979, ao lado da esposa

Fátima Regina Marcos, 67

Foto: Leonardo Zvarick/g1

Durante a desocupação, dirigentes, frequentadores e representantes da comunidade acompanharam a retirada de troféus, equipamentos e objetos religiosos. Na noite anterior, cerca de três mil pessoas participaram da última edição do Samba do Cruz em um ato de despedida e protesto.

Adoção Pet Love

Os pertences do clube foram encaminhados para um galpão provisório, enquanto a diretoria busca uma alternativa para manter as atividades em outro endereço.

O futuro Parque Campo de Marte prevê investimentos estimados em R$ 202 milhões e deverá beneficiar cerca de 300 mil moradores da região. Paralelamente, um abaixo-assinado que pede o reconhecimento do Cruz da Esperança como patrimônio cultural da cidade já reúne mais de 26 mil assinaturas.

Sede do Cruz da Esperança, no Campo de Marte,

é demolida por retroescavadeiras

Foto: Leonardo Zvarick/g1

Fonte: G1

Gráfica e Editora Copbem, sempre causando uma boa impressão
Compartilhe está notícia