Grêmio Esportivo Cruz da Esperança deixa área do futuro Parque Campo de Marte após decisão judicial; comunidade lamenta o fim de um espaço esportivo e cultural.
O Grêmio Esportivo Cruz da Esperança começou a ser desocupado nesta quarta-feira (29), após decisão judicial que determinou a reintegração de posse da área ocupada pelo clube no Campo de Marte, na Zona Norte de São Paulo. Horas depois da retirada dos pertences, máquinas iniciaram a demolição da sede, encerrando uma história de quase 50 anos no local.
Fundado como um dos tradicionais clubes de futebol de várzea da capital, o Cruz da Esperança também se consolidou como um importante espaço de convivência e manifestações culturais. Entre as atividades promovidas estavam o conhecido Samba do Cruz, além de rodas de capoeira e práticas religiosas ligadas ao candomblé.
A área integra o terreno onde será implantado o futuro Parque Campo de Marte. Segundo a Prefeitura de São Paulo, a permanência do clube impedia a transferência definitiva do espaço ao Consórcio Cântaro, responsável pela construção e administração do parque por meio de uma concessão de 35 anos.
A administração municipal informou que os demais clubes que utilizavam o local aceitaram acordos para desocupação voluntária, enquanto o Cruz da Esperança teria interrompido as negociações e descumprido notificações para deixar a área. O clube, por sua vez, recusou a proposta por entender que ela não garantiria a continuidade das atividades culturais realizadas na sede.
Antônio de Jesus Marcos, de 71 anos, atual presidente do
Cruz e membro do clube desde 1979, ao lado da esposa
Fátima Regina Marcos, 67
Foto: Leonardo Zvarick/g1
Durante a desocupação, dirigentes, frequentadores e representantes da comunidade acompanharam a retirada de troféus, equipamentos e objetos religiosos. Na noite anterior, cerca de três mil pessoas participaram da última edição do Samba do Cruz em um ato de despedida e protesto.

Os pertences do clube foram encaminhados para um galpão provisório, enquanto a diretoria busca uma alternativa para manter as atividades em outro endereço.
O futuro Parque Campo de Marte prevê investimentos estimados em R$ 202 milhões e deverá beneficiar cerca de 300 mil moradores da região. Paralelamente, um abaixo-assinado que pede o reconhecimento do Cruz da Esperança como patrimônio cultural da cidade já reúne mais de 26 mil assinaturas.
Sede do Cruz da Esperança, no Campo de Marte,
é demolida por retroescavadeiras
Foto: Leonardo Zvarick/g1
Fonte: G1





