Senador afirma que produtora já prestou contas, mas documento aponta gastos de R$ 75,1 milhões sem recibos ou notas fiscais anexados.
O senador Flávio Bolsonaro (PL) reagiu nesta segunda-feira (24) às cobranças sobre a prestação de contas do filme Dark Horse, que retrata a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro. Em evento na Fiesp, ele afirmou que não cabe a ele apresentar os documentos e disse que o presidente Lula é quem deveria prestar explicações.
Em maio, após a divulgação de áudios em que teria pedido R$ 61 milhões ao banqueiro Daniel Vorcaro para financiar o longa, Flávio havia prometido apresentar a prestação de contas em 30 dias. Mais de três meses depois, ele afirma que a produtora Go Up Entertainment já apresentou os dados durante a investigação em São Paulo.
Gastos declarados pela produtora Go UP Entertainment, responsável
pelo filme ‘Dark Horse’, sobre a vida de Jair Bolsonaro (PL)
Um documento anexado ao inquérito aponta R$ 75,1 milhões em gastos com o filme. Desse total, R$ 54 milhões teriam sido gastos no exterior e R$ 20,9 milhões no Brasil. O material, porém, não apresenta recibos ou notas fiscais que comprovem as despesas nem esclarece a origem de todo o dinheiro.
A Polícia Civil e o Ministério Público investigam se recursos públicos podem ter sido usados na produção. A apuração envolve também o Instituto Conhecer Brasil, ligado à empresária Karina Ferreira da Gama, responsável pela produtora do filme e alvo de investigação sobre um contrato de R$ 108 milhões com a Prefeitura de São Paulo para instalação de pontos de wi-fi.

Segundo a defesa, um laudo particular não identificou entradas de recursos públicos na produção. Karina também afirmou que Vorcaro teria bancado mais de 90% do orçamento do filme, cujo custo estimado chegou a cerca de US$ 13 milhões.
As cifras seguem sob investigação, enquanto a Polícia Federal também passou a analisar documentos apreendidos na Operação Wi-Fi por determinação do STF.
Daniel Vorcaro e Flávio Bolsonaro. — Fotos: Reprodução
Fonte: G1





