Pesquisas na Mongólia mostram que redes subterrâneas de fungos podem fortalecer o solo, reduzir a erosão e favorecer a recuperação de pastagens.
Invisíveis a olho nu, os fungos micorrízicos podem ter um papel importante na recuperação de terras degradadas e no combate à desertificação e à crise climática. A possibilidade foi apresentada pelas pesquisadoras Toby Kiers e Burenjargal Otgonsuren durante a COP17 da Desertificação, na Mongólia.
Esses fungos vivem em associação com as raízes das plantas e formam extensas redes subterrâneas. Em troca do carbono produzido pela vegetação, ajudam as plantas a obter água e nutrientes, como fósforo e nitrogênio. As redes também contribuem para unir partículas do solo, reduzir a erosão e aumentar a resistência das plantas à seca.
Uma das estratégias estudadas é cercar pequenas áreas de pastagem para interromper temporariamente o impacto do pastoreio e da atividade humana. A expectativa é que esses locais funcionem como refúgios para a biodiversidade subterrânea e, futuramente, como fontes de fungos locais para projetos de restauração.
Na Mongólia, seis áreas experimentais foram instaladas em regiões de estepe e deserto. Os primeiros resultados, observados em 2025, mostraram vegetação mais alta dentro das áreas protegidas. O acompanhamento deve continuar por pelo menos três anos.
A importância da iniciativa aumentou após a análise da biodiversidade local. Cerca de 90% das sequências de DNA fúngico encontradas nas amostras pertenciam a espécies ainda desconhecidas pela ciência. Na região do Gobi, foram identificadas 541 unidades taxonômicas associadas aos fungos micorrízicos.
Para as pesquisadoras, preservar esses organismos é essencial. A recuperação de uma área degradada não depende apenas do replantio da vegetação, mas também da reconstrução de um solo saudável.

A proposta é ampliar o reconhecimento dos fungos nas políticas ambientais, incluindo esses organismos no monitoramento da degradação e nas estratégias internacionais de combate à desertificação.
Foto: Tomas Munita/SPUN
Fonte: ABN




