Robert Bezeau criou casas e um castelo de quatro andares usando garrafas PET recolhidas em praias e ruas de Bocas del Toro
Um castelo de quatro andares construído com cerca de 40 mil garrafas plásticas se tornou o principal símbolo de um projeto de reciclagem no Panamá. A construção fica em Isla Colón, no arquipélago caribenho de Bocas del Toro, e foi criada pelo canadense Robert Bezeau, fundador do chamado Plastic Bottle Village.
A história começou quando Bezeau chegou à região, no fim dos anos 2000, e encontrou praias tomadas por resíduos. Com o crescimento do turismo, a quantidade de lixo aumentava e muitas garrafas PET acabavam espalhadas pelo território.
Em 2012, o canadense decidiu organizar um programa de coleta. Com um caminhão e uma equipe, passou a recolher resíduos duas vezes por semana. Entre agosto e dezembro daquele ano, foram retirados cerca de 60 mil sacos de lixo.
Em aproximadamente um ano e meio, a quantidade de garrafas recolhidas já havia ultrapassado 1 milhão de unidades.
De lixo a material de construção
Depois de retirar as garrafas do meio ambiente, surgiu outro desafio: encontrar uma maneira de reaproveitar todo aquele material.
Bezeau desenvolveu um sistema próprio de construção. As garrafas vazias são colocadas dentro de gaiolas de aço, que podem comportar entre 120 e 300 unidades, dependendo do tamanho. As estruturas são encaixadas para formar as paredes e recebem uma camada de cimento de aproximadamente 2,5 centímetros em cada lado.
O método aproveita principalmente o ar retido dentro das garrafas. Esse espaço funciona como uma camada de isolamento e pode reduzir a transferência de calor entre o ambiente externo e o interior das construções.
Em uma região tropical, onde as temperaturas podem ser elevadas, o sistema pode contribuir para manter os ambientes internos mais frescos e diminuir a necessidade de refrigeração artificial.
As estruturas também foram projetadas para apresentar resistência a abalos sísmicos, característica considerada importante em uma região sujeita à atividade tectônica.
O castelo que virou atração
A construção mais conhecida do projeto é o Castillo Inspiración, erguido em 2017.
Com aproximadamente 14 metros de altura e quatro pavimentos, o castelo possui quartos para hóspedes, área de jantar e um mirante no topo. Segundo o projeto, cerca de 40 mil garrafas plásticas foram utilizadas na estrutura.
A construção ganhou ainda mais notoriedade ao ser reconhecida pelo Guinness World Records como o maior castelo do mundo feito com garrafas plásticas.

Em 2021, Bezeau ampliou o complexo com uma espécie de masmorra, construída com outras 10 mil garrafas. O espaço possui seis celas adaptadas para acomodar visitantes.
Para o criador do projeto, a construção de um castelo ajuda a chamar atenção para a iniciativa. Uma estrutura incomum desperta curiosidade, atrai visitantes e transforma o problema do lixo em uma ferramenta de educação ambiental e ecoturismo.
O projeto também recebeu o Energy Globe Award, prêmio internacional voltado a iniciativas ambientais.
Projeto prevê novas casas
O Plastic Bottle Village ainda tem planos de expansão. Bezeau estima construir 120 residências particulares em uma área de mais de 330 mil metros quadrados.
A proposta prevê casas com sistemas de captação de água, fossa séptica e ligação elétrica, seguindo projetos elaborados por escritórios de arquitetura do Panamá.
De acordo com a estimativa apresentada pelo projeto, uma residência de dois andares e aproximadamente 280 metros quadrados teria custo próximo de US$ 70 mil, equivalente a cerca de R$ 360 mil na conversão indicada.
Mais do que transformar garrafas descartadas em paredes, a iniciativa de Bocas del Toro criou uma maneira de dar visibilidade a um dos grandes problemas ambientais das regiões turísticas: o descarte inadequado de resíduos.
O resultado é uma combinação incomum de reciclagem, arquitetura, turismo e educação ambiental, em que aquilo que antes ocupava praias e ruas passou a fazer parte da paisagem de um vilarejo construído para mostrar que o lixo também pode ganhar uma segunda função.








