
Polícia Federal e Ministério Público Federal investigam denúncias de violência contra comunidades Guarani Kaiowá, incluindo intimidações, mortes e ameaças de contaminação da água.
Comunidades indígenas Guarani Kaiowá de Mato Grosso do Sul denunciaram uma série de episódios de violência após o resultado das eleições presidenciais de domingo (25). Entre os relatos estão tentativas de assassinato, intimidações e uma ameaça de envenenamento da água utilizada pelas famílias.
Segundo o Conselho Indigenista Missionário (Cimi), ao menos cinco casos de assassinatos de indígenas registrados na região desde sábado (24) estão sob investigação.
O coordenador regional do Cimi, Matias Benno Rempel, afirma que indígenas também relataram a circulação de caminhonetes pelos territórios e agressões destinadas a intimidar moradores e dificultar a participação na votação.
Rempel ressalta que a violência contra os Guarani Kaiowá não se limita ao período eleitoral, mas integra um cenário recorrente de conflitos no campo.
A Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), o Ministério dos Povos Indígenas (MPI) e a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) solicitaram providências ao Ministério Público Federal (MPF) e à Polícia Federal (PF).
Entre os episódios denunciados está um suposto atropelamento intencional de um indígena em Coronel Sapucaia, município localizado na fronteira com o Paraguai.
Ameaça de envenenamento da água
Outra denúncia envolve um áudio atribuído a um funcionário da Prefeitura de Tacuru, no extremo sul do estado. Na gravação, o homem sugere envenenar a água consumida pelos indígenas como retaliação ao voto no candidato Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Segundo Ricardo Terena, coordenador jurídico da Apib, muitas comunidades dependem do abastecimento por caminhões-pipa. Após a circulação do áudio, moradores passaram a evitar o consumo da água por medo de contaminação.
O MPF estabeleceu prazo de 24 horas para que a Prefeitura de Tacuru esclareça a autenticidade da gravação, identifique o possível autor das ameaças e informe quais providências foram adotadas.
As circunstâncias dos episódios denunciados e as eventuais responsabilidades ainda estão sendo apuradas pelas autoridades.
Fonte: ABN



