Itamaraty classifica como “inaceitáveis” ataques de Milei a Lula e ao sistema eleitoral

Soberania e democracia no centro da crise diplomática.

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Javier Milei, presidente da Argentina Foto: Agência Brasil
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Dra Marcela Paiva

Governo brasileiro reage a publicações do presidente argentino, que questionou o voto eletrônico e chamou Lula de “esquerdista ladrão”, em meio ao agravamento da crise diplomática.

O Ministério das Relações Exteriores, o Itamaraty, condenou nesta terça-feira (20) declarações do presidente da Argentina, Javier Milei, contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o Poder Judiciário e o sistema de votação brasileiro.

Em publicação nas redes sociais, Milei questionou a segurança das eleições e chamou Lula de “esquerdista ladrão”. Em nota, o governo brasileiro classificou as declarações como uma tentativa “inaceitável” de interferência no processo democrático nacional.

O Itamaraty também afirmou que Milei reproduz alegações falsas difundidas por grupos que contestaram o resultado eleitoral e estiveram envolvidos na tentativa de golpe de Estado mencionada pelo governo brasileiro.

Segundo a nota, o sistema eletrônico de votação do país é seguro e já foi avaliado por observadores eleitorais internacionais. O ministério ressaltou ainda que a decisão sobre o futuro político do Brasil cabe exclusivamente aos eleitores brasileiros.

Crise diplomática entre Brasil e Argentina

A tensão entre os dois países aumentou após a participação de Milei em uma convenção do Partido Liberal (PL), que lançou a candidatura de Flávio Bolsonaro. Durante o evento, o presidente argentino fez novos ataques a Lula e ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes.

Em resposta às declarações, o governo brasileiro convocou o embaixador do Brasil em Buenos Aires, Júlio Bitelli, para consultas e pediu explicações ao representante argentino em Brasília, Daniel Raimondi.

AgênciaModerna

O chanceler argentino, Pablo Quirno, afirmou que não havia intenção de romper relações com o Brasil. Apesar disso, Milei continuou a fazer críticas públicas ao presidente brasileiro.

Posteriormente, o governo brasileiro decidiu não enviar Bitelli de volta a Buenos Aires, enquanto Raimondi deixou o Brasil após ser informado da decisão. O episódio foi acompanhado pelo rebaixamento do nível das relações diplomáticas entre os dois países.

Fonte: IG Notícias

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