Endividamento, inadimplência e custo elevado do crédito pressionam empresas e colocam as contas públicas no centro dos desafios do próximo governo.
A situação fiscal deve estar entre as principais prioridades do próximo presidente da República, independentemente de quem vencer a eleição de outubro. O desequilíbrio das contas públicas, combinado com juros elevados e carga tributária, aumenta a pressão sobre empresas e consumidores e dificulta a retomada da atividade econômica.
O cenário pode ser observado no aumento dos pedidos de Recuperação Judicial. A Casas Bahia, uma das maiores redes varejistas do país, entrou com pedido diante de uma dívida de R$ 17,3 bilhões. O caso ganhou destaque pela trajetória da empresa, criada em 1952 e conhecida por ampliar o acesso ao crédito para consumidores de renda mais baixa.
A companhia cresceu durante décadas mesmo diante de sucessivas crises econômicas. O modelo baseado no crediário permitiu que milhões de brasileiros comprassem eletrodomésticos e móveis parcelados. Agora, porém, a empresa enfrenta dificuldades para manter esse modelo diante do aumento da inadimplência e do custo financeiro.
O problema não está restrito ao varejo. O Brasil registra uma quantidade recorde de empresas em Recuperação Judicial, enquanto milhões de consumidores enfrentam dificuldades para manter as contas em dia.
A combinação de inflação, juros elevados, endividamento e perda do poder de compra reduz o consumo e afeta diretamente o caixa das empresas. Quando o consumidor deixa de pagar, o impacto chega ao comércio, à indústria e à cadeia de fornecedores.

Nesse contexto, o equilíbrio das contas públicas ganha importância. O controle das despesas, a redução de desequilíbrios fiscais e a criação de condições para a queda sustentável dos juros são apontados como desafios centrais para melhorar o ambiente de negócios.
O cenário reforça a dimensão do problema que estará diante do próximo governo: recuperar a confiança na economia, estimular investimentos e evitar que empresas historicamente resistentes às crises sejam empurradas para uma situação financeira insustentável.
Fonte: IG Notícias



