Luto e Justiça: O Caso da Cachorra Pretinha, Vítima de Disparos Policiais em Guará

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G1
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Quase um ano após o trágico incidente que ceifou a vida de sua cachorra Pretinha, a dona de casa Amanda Dourado, residente em Guará, interior de São Paulo, ainda lida com as profundas cicatrizes emocionais da perda. O desfecho, marcado por uma decisão judicial que concedeu uma indenização de R$ 12 mil ao estado, é visto por ela como insuficiente para aplacar a dor e o vazio deixados pela companheira de dois anos. Amanda segue dependendo de acompanhamento psicológico e uso de medicação controlada, evidenciando o impacto devastador do ocorrido.

A Inadequação da Indenização Frente à Dor da Perda

Apesar da sentença judicial que determina a compensação financeira, Amanda Dourado é categórica em afirmar que “nenhum dinheiro no mundo vai trazer ela de volta”. Para a tutora, o valor de R$ 12 mil, destinado a cobrir os danos morais pela ausência de Pretinha, não consegue equacionar a dimensão do sofrimento e do vínculo afetivo perdido. A Procuradoria Geral do Estado, por sua vez, informou não ter sido notificada sobre a sentença até a última quinta-feira, aguardando os trâmites para as próximas etapas legais.

A Sequência dos Fatos: Da Abordagem Policial ao Disparo Fatal

O episódio chocante que resultou na morte de Pretinha ocorreu em 14 de agosto de 2023, no coração de Guará, durante uma abordagem policial. Agentes da Polícia Militar intervinham contra um jovem flagrado com drogas quando familiares deste tentaram impedir a ação, gerando um cenário de confusão na Avenida Massuo Nakano. Foi nesse contexto caótico que três cães, pertencentes à família e que estavam em um dos imóveis, escaparam para a rua após um policial arrombar o portão da residência. Dois dos animais se aproximaram dos PMs e recuaram, mas Pretinha, ainda nas proximidades dos agentes, foi alvejada seguidas vezes, vindo a óbito instantaneamente.

A Análise Judicial: Descartando Legítima Defesa e Reconhecendo o Vínculo Afetivo

O caso foi levado à Justiça pelos tutores, que ingressaram com uma ação por danos morais contra o estado de São Paulo. Em sua sentença, expedida em 13 de março, o juiz Otavio Henrique Pereira de Souza refutou a alegação de que os policiais agiram em legítima defesa, defendida pelo estado. O magistrado destacou que a fuga dos cães e o subsequente confronto foram diretamente motivados pela ação de um dos policiais militares ao arrombar o portão da residência onde os animais se encontravam. Além disso, a decisão reconheceu explicitamente o dano moral provocado pela perda, enfatizando o profundo vínculo afetivo entre Pretinha e sua família, base para a concessão da indenização.

O Legado de Pretinha e o Trauma Persistente da Tutora

Para Amanda Dourado, as lembranças de Pretinha persistem vívidas. Ela descreve a cachorra como um animal de dois anos, “muito dócil” e tranquila, que gostava de interagir com as pessoas e sentar-se na cadeira para observar o movimento da rua. A tutora relembra o momento da morte com profundo sofrimento, descrevendo a si mesma caindo no chão, em estado de choque, após os disparos. Amanda sustenta que, apesar da agitação causada pela confusão, Pretinha já havia recuado quando foi baleada, o que a leva a crer que os quatro tiros foram dados por “maldade”. Essa percepção contribui para o seu quadro de abalo psicológico, que exige o contínuo acompanhamento com psicólogos e psiquiatras.

O caso de Pretinha transcende a mera indenização monetária, evidenciando a busca por justiça e o reconhecimento da vida de um animal de estimação como parte integrante da família. Enquanto a tutora Amanda Dourado continua sua jornada de luto e recuperação, o desfecho judicial, embora um passo, sublinha a complexidade de mensurar a perda afetiva e os traumas gerados por eventos dessa natureza.

Fonte: https://g1.globo.com

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