Molécula pode reduzir danos ao coração após infarto, aponta estudo da Unicamp

Precisão molecular para proteger o coração.

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Composto atua no organismo liberando óxido nítrico (NO), gás naturalmente produzido pelo corpo que tem ação vasodilatadora Imagem: Marcelo Ganzarolli de Oliveira
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Pesquisa em ratos mostra que a S-nitrosoglutationa preservou células cardíacas durante a reperfusão, mas efeito depende da dose

Uma molécula capaz de liberar óxido nítrico e promover a dilatação dos vasos sanguíneos pode ajudar a reduzir os danos provocados no coração após um infarto. É o que indica um estudo conduzido por pesquisadores da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e publicado na revista Scientific Reports.

Os cientistas avaliaram os efeitos da S-nitrosoglutationa (GSNO) em corações de ratos submetidos a uma interrupção do fluxo sanguíneo por 35 minutos, modelo utilizado para simular um infarto. A pesquisa concentrou-se principalmente nos danos associados à isquemia e reperfusão, que ocorrem quando a circulação é restabelecida após o período de bloqueio.

Segundo os pesquisadores, a retomada do fluxo sanguíneo pode desencadear estresse oxidativo e inflamação, ampliando a morte das células cardíacas e a área lesionada.

Dose faz diferença

Foram testadas duas concentrações de GSNO: 200 e 500 micromolar (µM). Ambas aumentaram o fluxo sanguíneo e reduziram a resistência vascular, confirmando o efeito vasodilatador da molécula.

Entretanto, apenas a concentração de 200 µM apresentou redução significativa da área do infarto e melhora na recuperação funcional do ventrículo.

Na concentração de 500 µM, não houve proteção adicional e os pesquisadores observaram risco de citotoxicidade, mostrando que uma quantidade maior da molécula não significa necessariamente maior benefício.

A dose de 200 µM também ajudou a preservar a função das mitocôndrias, estruturas responsáveis pela produção de energia nas células, e reduziu o estresse oxidativo durante a reperfusão.

Potencial para novos tratamentos

A GSNO atua como fonte de óxido nítrico, substância naturalmente produzida pelo organismo e que participa da regulação do calibre dos vasos sanguíneos. No estudo, a molécula também ajudou a preservar mecanismos celulares associados à produção de energia e à sobrevivência do tecido cardíaco.

Adoção Pet Love

Para Marcelo Ganzarolli de Oliveira, professor do Instituto de Química da Unicamp e um dos responsáveis pela pesquisa, os resultados representam uma prova de conceito para o uso direcionado do óxido nítrico na redução de lesões após o infarto.

Os pesquisadores agora pretendem desenvolver formas de aplicação localizada da GSNO. Uma das possibilidades é incorporá-la a hidrogéis aplicados sobre o epicárdio, camada externa do coração, durante procedimentos cirúrgicos.

Também estão sendo estudados hidrogéis injetáveis e stents absorvíveis capazes de liberar óxido nítrico.

Os resultados ainda são experimentais e foram obtidos em modelos animais. Portanto, novas pesquisas serão necessárias para determinar a segurança, a eficácia e as doses adequadas antes de qualquer eventual aplicação em seres humanos.

Fonte: Agência Fapesp

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