Montanha desaba sobre rio no Nepal após três dias de chuvas intensas

A força da natureza volta a desafiar o Nepal.

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Dra Marcela Paiva

Tempestades provocaram enchentes e deslizamentos em diferentes regiões do país; cerca de 1,5 mil pessoas precisaram deixar áreas de risco

Uma encosta de montanha desabou sobre o rio Kaligandaki, no Nepal, neste domingo (27), após três dias de chuvas intensas na província de Gandaki. O episódio ocorre cerca de um mês depois de uma das maiores tragédias recentes no país, provocada por enchentes associadas ao colapso de gelo e rochas no Himalaia.

Segundo a Autoridade Nacional de Redução e Gestão do Risco de Desastres do Nepal (NDRRMA), as chuvas foram influenciadas por uma área de baixa pressão formada na Baía de Bengala.

O volume de água provocou enchentes e deslizamentos em diferentes pontos da região. Ao menos 24 pessoas morreram nos distritos de Baglung, Myagdi e Parbat, enquanto aproximadamente 1,5 mil moradores de 435 famílias precisaram ser retirados de áreas consideradas de risco.

Dados da NDRRMA apontaram que mais de 100 milímetros de chuva foram registrados em 186 pontos de medição no país durante quatro dias. O maior volume foi registrado em Dedhgaun, no distrito de Nawalparasi, com 544,2 milímetros. Na sequência aparecem Karki Jiwarchowk, com 500,2 milímetros, e Atraulitar, em Tanahun, com 472 milímetros.

O Departamento de Meteorologia do Nepal havia emitido alertas para chuvas intensas desde os dias 21 e 22 de setembro.

Moradores são retirados de áreas de risco

Distritos como Jajarkot, Myagdi e Baglung registraram comunidades isoladas por enchentes e deslizamentos. Em alguns locais, helicópteros foram utilizados para retirar moradores e levar assistência às áreas afetadas.

Entre a madrugada de segunda-feira (28) e a madrugada desta terça-feira (29), foram contabilizadas 80 ocorrências em 60 distritos. Nesse período, sete pessoas morreram, oito ficaram desaparecidas e 19 ficaram feridas. Ao todo, 1.091 pessoas foram resgatadas.

Entre as ocorrências estavam 29 deslizamentos de terra em 18 distritos, seis enchentes e 23 registros relacionados às chuvas intensas.

AgênciaModerna

Novo episódio ocorre um mês após tragédia no Himalaia

As novas ocorrências acontecem aproximadamente um mês depois da tragédia de 26 de agosto, quando um colapso de gelo e rochas desencadeou uma grande inundação na região da fronteira entre Nepal e Tibete. O desastre destruiu comunidades, estradas, pontes e instalações de infraestrutura e deixou milhares de pessoas mortas ou desaparecidas.

No balanço divulgado em 30 de agosto, as autoridades nepalesas contabilizavam 734 mortes e 2.498 desaparecidos. Do lado chinês, no condado de Gyirong, haviam sido registradas 16 mortes e 546 desaparecidos, totalizando 750 mortos e 3.044 desaparecidos nos dois lados da fronteira.

Desde então, os números foram revisados conforme as operações de busca e identificação avançaram. A Reuters informou em 25 de setembro que a tragédia havia deixado pelo menos 1.450 mortos e milhares de desaparecidos.

As buscas e os trabalhos de recuperação enfrentaram dificuldades provocadas por novas chuvas, elevação do nível dos rios e danos à infraestrutura. Equipes nepalesas, indianas e chinesas participaram das operações de resgate e localização de vítimas.

Fonte: IG Notícias

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