
Trio de parlamentares democratas enviou carta a Marco Rubio e questionou se os Estados Unidos reconhecerão o resultado das eleições brasileiras de 2026
Três senadores democratas dos Estados Unidos enviaram uma carta ao secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, na segunda-feira (28), para questionar a atuação do governo Donald Trump em relação às eleições presidenciais brasileiras de 2026.
O documento é assinado por Jeanne Shaheen, Peter Welch e Tim Kaine. Shaheen e Kaine integram o Comitê de Relações Exteriores do Senado dos Estados Unidos.
A iniciativa ocorre uma semana depois de outro grupo, formado por 31 parlamentares democratas, encaminhar uma carta semelhante a Rubio. Entre os signatários estavam o senador Bernie Sanders e a deputada Alexandria Ocasio-Cortez.
Na nova carta, os três senadores dizem estar preocupados com o que consideram uso de pressão diplomática, econômica e política pelo governo Trump para influenciar as instituições brasileiras antes da eleição presidencial, marcada para 4 de outubro.
Os parlamentares afirmam que as autoridades norte-americanas estariam envolvidas em uma “campanha de interferência e desestabilização no Brasil”. A avaliação é dos próprios senadores e não representa uma conclusão independente sobre a atuação do governo dos Estados Unidos.
Tarifas, sanções e atuação de Darren Beattie
Na carta, os senadores afirmam que essa atuação teria se intensificado em 2025, quando o governo Trump adotou tarifas e sanções que, segundo eles, buscavam pressionar autoridades brasileiras durante o processo envolvendo o ex-presidente Jair Bolsonaro no Supremo Tribunal Federal.
Os parlamentares também citam a nomeação de Darren Beattie para um cargo no Departamento de Estado relacionado à supervisão de assuntos envolvendo o Brasil. Shaheen, Welch e Kaine fazem críticas à atuação e ao histórico político de Beattie.
Outro episódio mencionado é a reunião entre Donald Trump e o senador Flávio Bolsonaro, candidato à Presidência da República, no Salão Oval da Casa Branca.
Segundo os senadores, o encontro indicaria disposição do governo norte-americano de participar do processo eleitoral brasileiro. Eles também comparam a postura atual dos Estados Unidos com a adotada durante a eleição presidencial brasileira anterior.
Os parlamentares afirmam ainda que as medidas citadas podem afetar a confiança no processo eleitoral brasileiro e nas instituições democráticas, além de prejudicar a relação entre os dois países.
Senadores citam outros países da América Latina
A carta também menciona processos eleitorais recentes em outros países latino-americanos. Segundo os senadores, as ações atribuídas ao governo Trump fariam parte de um padrão mais amplo de atuação dos Estados Unidos na região.

Os parlamentares citam as eleições de meio de mandato da Argentina e as eleições presidenciais de Honduras e da Colômbia. Na avaliação dos signatários, esse tipo de atuação poderia afetar a confiança pública nos processos eleitorais e nas instituições democráticas desses países.
As afirmações constam da carta e são atribuídas aos três senadores.
Perguntas a Marco Rubio
Shaheen, Welch e Kaine pediram que o secretário de Estado responda a dois questionamentos.
O primeiro trata de como o Departamento de Estado coordena seus objetivos relacionados à democracia e aos direitos humanos com parceiros do Hemisfério Ocidental, especialmente em relação à assistência técnica e ao monitoramento de processos eleitorais e judiciais.
O segundo questionamento é se o governo dos Estados Unidos se compromete a reconhecer o resultado certificado das eleições brasileiras de 2026 e a manter relações diplomáticas normais com o candidato escolhido pelo eleitorado.
Em setembro, uma porta-voz do Departamento de Estado, Amanda Roberson, afirmou à CNN Brasil que interferir nas eleições de outros países não faz parte da estratégia do governo norte-americano. Segundo ela, os Estados Unidos querem eleições livres e transparentes no Brasil e trabalharão com o governo que for eleito.
Até a publicação desta reportagem, o Itamaraty e o Departamento de Estado dos Estados Unidos haviam sido procurados para comentar a nova carta. A CNN Brasil informou que aguardava retorno.
Fonte: CNN



