Uma mulher teve parte da orelha brutalmente arrancada por uma mordida do ex-companheiro durante um evento em um restaurante de Piracaia (SP). Em entrevista exclusiva ao g1, a vítima quebrou o silêncio para clamar por justiça, reiterando a dor e a revolta de um ato que, segundo ela, “nada justifica”. O episódio chocante, ocorrido em um ambiente público, culminou em uma lesão permanente e expôs a face da violência doméstica, que segue sob investigação policial.
O Relato da Vítima: Uma Noite de Descontrole e Agressão Inesperada
A vítima, que optou por não ter sua identidade revelada, narrou os momentos que antecederam o ataque, descrevendo um relacionamento já marcado por sinais de controle e desrespeito por parte do então companheiro, Wendel Alexander De Oliveira Poloni. Segundo seu relato, na noite do evento, o agressor já demonstrava um comportamento inadequado, observando outras mulheres de forma insistente, o que gerou incômodo na vítima, que preferiu manter o silêncio para evitar conflitos.
O ataque propriamente dito ocorreu de forma súbita e violenta. Enquanto a mulher estava na fila do bar, atendendo a um pedido dele para pegar uma bebida, foi surpreendida por trás. O agressor puxou seu cabelo com força, mordeu sua orelha e arrancou um pedaço. As imagens do momento do ataque, obtidas pela reportagem, são fortes e evidenciam a crueldade e a repentina da agressão, impossibilitando qualquer reação de defesa por parte da vítima.
Consequências Físicas Irreversíveis e o Trauma Pós-Agressão
Após a agressão, a mulher descreve ter entrado em estado de choque, enquanto pessoas que presenciaram a cena agiam com desespero. Populares rapidamente tentaram estancar o intenso sangramento e buscaram o pedaço de sua orelha no chão, que foi encontrado. A vítima foi socorrida por terceiros e levada à Santa Casa de Piracaia, onde recebeu os primeiros atendimentos.
No hospital, foram necessários sete pontos para suturar a ferida em sua orelha. Contudo, a extensão do dano impossibilitou qualquer possibilidade de reconstrução da estrutura, resultando em uma mutilação permanente. Além da dor física e da lesão irreversível, a vítima teve que enfrentar as tentativas de manipulação do agressor que, mesmo após o crime, ligava e enviava mensagens, pedindo ajuda e tentando reverter a situação, inclusive de dentro da delegacia.
A Trajetória Legal: Prisão, Soltura e a Luta por Justiça
O agressor, Wendel Alexander De Oliveira Poloni, foi localizado e preso em flagrante por guardas civis municipais ainda no domingo, após a polícia usar as informações de localização que ele mesmo havia enviado à vítima enquanto tentava se esconder em uma área de mata próxima ao restaurante. Segundo o boletim de ocorrência, ele apresentava sinais de embriaguez no momento da detenção.
Apesar da prisão em flagrante e da gravidade do delito, Wendel Alexander De Oliveira Poloni foi posteriormente solto pela Justiça e atualmente responde ao processo em liberdade. O caso foi registrado como violência doméstica, com base na Lei Maria da Penha, e lesão corporal. A investigação continua em andamento, visando apurar todos os detalhes e garantir a responsabilização adequada do agressor.
A voz da vítima, clamando por justiça e afirmando a inexistência de justificativa para tal barbárie, ecoa como um lembrete contundente da urgência em combater a violência contra a mulher. Enquanto a investigação avança e o processo legal segue seu curso, a esperança é que a responsabilização do agressor sirva não apenas como reparação à dor infligida, mas também como um passo para a prevenção de futuros atos de violência, reafirmando que atos como este não devem ser tolerados em nossa sociedade.
Fonte: https://g1.globo.com



