Moradores relatam isolamento, falta de comunicação e dificuldade de acesso às regiões atingidas; mais de 1,3 mil pessoas continuam desaparecidas
As equipes de resgate do Nepal entraram nesta quinta-feira (27) no segundo dia de buscas por sobreviventes das enchentes repentinas que atingiram áreas montanhosas próximas à fronteira com a China. O número de mortos já passa de 300, enquanto mais de 1,3 mil pessoas continuam desaparecidas, segundo informações divulgadas pelas autoridades.
A dimensão da tragédia ainda não foi totalmente calculada. Moradores relatam que aldeias inteiras ficaram isoladas depois que rios transbordaram e destruíram estradas, pontes e estruturas de comunicação.
Em algumas localidades, não há energia elétrica nem sinal de telefonia móvel. A dificuldade de acesso também impede que familiares recebam informações sobre pessoas desaparecidas.
Vilas inteiras foram atingidas
Entre as regiões mais afetadas estão os distritos de Nuwakot, Rasuwa e Dhading. Em Nuwakot, moradores contaram que a água chegou de forma repentina e obrigou algumas pessoas a fugir para áreas mais altas.
Relatos indicam que pontes rodoviárias e suspensas foram destruídas, incluindo uma importante ligação sobre o rio Trishuli, que conecta a região à capital, Katmandu. Instalações de geração de energia também foram atingidas.
O governo mobilizou policiais, militares e helicópteros para retirar pessoas isoladas, transportar feridos e levar suprimentos às áreas de difícil acesso. Segundo autoridades, pelo menos 414 pessoas, entre elas 164 estrangeiros, haviam sido resgatadas por via aérea até o meio-dia desta quinta-feira.
Alertas não evitaram a tragédia
Moradores afirmam que houve alertas sobre a possibilidade de uma grande enchente, mas muitas pessoas não imaginavam que a água chegaria com tamanha velocidade e força.
Para sobreviventes e familiares, a falta de comunicação agravou a angústia. Em diversas aldeias, as pessoas continuam sem energia e sem acesso às redes de telefonia.

O ministro da Informação e Comunicação do Nepal, Bikram Timilsina, descreveu a situação como devastadora e afirmou que o país mobilizou seus recursos para tentar alcançar as comunidades atingidas.
Cientistas investigam origem da enchente
A causa exata da tragédia ainda está sendo investigada. Uma das hipóteses apontadas por especialistas é que uma avalanche de gelo, rochas e sedimentos tenha bloqueado inicialmente um rio na região montanhosa próxima à fronteira entre Nepal e China.
O cientista climático Sudip Thakuri, da Universidade Tribhuvan, afirmou que a ruptura dessa barreira natural pode ter provocado uma onda de água e detritos. Outra possibilidade investigada é que o deslocamento tenha atingido um lago subglacial, ampliando o volume de água que avançou pelo vale.
Pesquisadores também alertam para o risco de novos episódios. Segundo especialistas, outros lagos glaciais da região precisam ser monitorados diante da possibilidade de transbordamentos.
A tragédia ocorre em uma área vulnerável a enchentes e movimentos de massa, onde comunidades vivem próximas a rios e encostas. Enquanto os cientistas tentam esclarecer o que desencadeou o desastre, equipes de emergência continuam trabalhando contra o tempo para localizar sobreviventes e levar ajuda às populações isoladas.
Fonte: IG Notícias



