Nova política de reserva de vagas para docência na contratação de pessoas pretas, pardas e indígenas é aprovada na UNESP

Unesp aprova cotas para docentes, reservando um terço das vagas a candidatos negros e indígenas nos concursos público

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A Universidade Estadual Paulista (Unesp) aprovou uma medida considerada histórica para ampliar a diversidade em seu corpo docente. O Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão Universitária (Cepe) decidiu, por unanimidade, instituir a reserva de vagas para pessoas pretas, pardas e indígenas (PPI) nos concursos públicos destinados ao ingresso na carreira de professor da instituição.

Pela nova política, um terço das vagas docentes será destinado a candidatos negros e indígenas, na proporção de uma vaga reservada a cada três contratações realizadas nos departamentos distribuídos pelos 24 câmpus da universidade. Além disso, no primeiro ano de vigência da medida, a Unesp prevê a contratação de ao menos um docente negro ou indígena em cada uma das 34 unidades universitárias.

A decisão busca enfrentar a histórica sub-representação racial no quadro permanente de professores. Atualmente, dos 3.055 docentes da universidade, apenas 201 se autodeclaram pretos, pardos ou indígenas, o equivalente a cerca de 6% do total. O percentual contrasta com a composição da população paulista, na qual aproximadamente 40% são pessoas negras.

A proposta foi construída a partir de um grupo de trabalho criado em 2025, com participação de representantes acadêmicos, técnicos, estudantes, integrantes do Núcleo Negro da Unesp (Nupe), especialistas em gestão de pessoas e membros do Centro de Estudos das Relações de Trabalho e Desigualdades (CEERT). O objetivo foi desenvolver um modelo efetivo de inclusão, compatível com os concursos descentralizados realizados pela instituição.

Segundo a professora Maria Valéria Barbosa, coordenadora do grupo responsável pelo estudo, a adoção da reserva direta de vagas garante maior efetividade do que mecanismos baseados apenas em pontuação diferenciada. Para a universidade, a medida representa um avanço nas políticas de diversidade, equidade e ações afirmativas, fortalecidas após a criação da Pró-Reitoria de Ações Afirmativas, Diversidade e Equidade (Proade).

A verificação das autodeclarações seguirá protocolo semelhante ao já adotado pela Unesp no vestibular. A expectativa é que a iniciativa contribua para tornar a universidade mais plural, representativa e alinhada à diversidade da sociedade brasileira.

Fonte: Agência SP

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