O projeto do Telescópio Gigante Magalhães (GMT), considerado uma das iniciativas mais ambiciosas da astronomia contemporânea, segue avançando e mantém a previsão de iniciar suas operações científicas em 2030. A atualização foi apresentada pelo astrônomo Daniel T. Jaffe, presidente do consórcio internacional responsável pelo empreendimento, durante visita ao Brasil para um seminário promovido pelo Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas da USP (IAG-USP).
Em construção no Observatório de Las Campanas, no deserto do Atacama, no Chile, a mais de 2.500 metros de altitude, o GMT integra a nova geração dos chamados Telescópios Extremamente Grandes, capazes de observar o Universo com um nível de detalhe sem precedentes.
Parceira do consórcio desde 2014, a FAPESP investiu US$ 55 milhões no projeto, garantindo aos pesquisadores do Estado de São Paulo cerca de 4% do tempo anual de observação do equipamento. O telescópio permitirá estudos sobre a formação das galáxias, a evolução do cosmos e a busca por planetas semelhantes à Terra.
Segundo Jaffe, embora a aprovação definitiva dos recursos federais dos Estados Unidos ainda dependa do Congresso norte-americano, o empreendimento já ultrapassou a fase inicial. Atualmente, mais de 40% da construção está concluída, com expectativa de atingir 50% nos próximos meses. A infraestrutura de apoio no Chile já está pronta, incluindo dormitórios, fornecimento de água, energia e internet.
Os avanços incluem ainda a fabricação dos sete espelhos gigantes do GMT, todos já fundidos, sendo que três estão completamente finalizados. Sistemas de óptica adaptativa, responsáveis por corrigir as distorções provocadas pela atmosfera terrestre, também estão em desenvolvimento, assim como a estrutura mecânica que permitirá ao telescópio acompanhar objetos em qualquer região do céu.
O consórcio reúne atualmente 16 parceiros internacionais e já captou aproximadamente US$ 1 bilhão para o projeto. Ainda são necessários cerca de US$ 300 milhões para sua conclusão. Apesar dos desafios financeiros, Jaffe demonstrou confiança no cronograma e destacou o interesse crescente de novos apoiadores.
Quando entrar em operação, o GMT deverá representar um salto histórico para a ciência, ampliando significativamente a capacidade humana de explorar os mistérios do Universo.
Fonte: Agência Fapesp
O Astrônomo Daniel T. Jaffe, presidente do consórcio internacional



