precisam cair 18% até 2030 para conter aquecimento

Reduzir emissões hoje é proteger o clima do futuro.

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  • aquecimento global, emissões, PNUMA, 1,5°C, Acordo de Paris, energia renovável
Dra Marcela Paiva

ONU alerta que emissões globais

Relatório do PNUMA projeta aumento de 2,8°C na temperatura global até o fim do século com as políticas atuais e aponta a necessidade de acelerar os cortes de gases de efeito estufa.

As emissões globais de gases de efeito estufa precisam cair 18% até 2030 para limitar o avanço do aquecimento global e reduzir os riscos das mudanças climáticas. O alerta está na edição de 2026 do Emissions Gap Report, relatório divulgado nesta quinta-feira (22) pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA).

De acordo com o documento, se as políticas climáticas atuais forem mantidas, o planeta poderá registrar um aumento de 2,8°C na temperatura média global até o fim do século. Para reduzir esse risco, será necessário acelerar os cortes de emissões nas próximas décadas.

O relatório estabelece que as emissões globais devem diminuir 18% até 2030, 45% até 2035 e 69% até 2040, sempre em comparação com os níveis de 2025. A redução é considerada necessária para limitar a ultrapassagem temporária do limite de 1,5°C e permitir que a temperatura média global retorne a esse patamar até 2100.

Segundo o PNUMA, evitar completamente que o aquecimento ultrapasse 1,5°C já não é considerado viável, após décadas de reduções insuficientes nas emissões. Ainda assim, o documento aponta a possibilidade de limitar o pico de aquecimento a aproximadamente 1,7°C ou 1,8°C em meados do século e retornar ao limite de 1,5°C até o fim do período.

Promessas climáticas ainda são insuficientes

As emissões globais de gases de efeito estufa chegaram a 58,4 bilhões de toneladas de dióxido de carbono equivalente (GtCO₂e) em 2025. Apesar do avanço das fontes renováveis, o volume permanece acima do necessário para cumprir as metas do Acordo de Paris.

As Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs, na sigla em inglês) são os compromissos assumidos pelos países para reduzir as emissões e enfrentar as mudanças climáticas.

Mesmo que todas as metas nacionais sejam cumpridas, o relatório estima que as emissões globais cairão apenas entre 5% e 8% até 2030 e entre 11% e 15% até 2035, em relação aos níveis de 2025. Os percentuais ficam abaixo das reduções apontadas como necessárias para limitar o aquecimento.

As projeções de temperatura também variam conforme o nível de implementação das medidas climáticas:

  • 2,8°C: cenário em que os governos mantêm as políticas atualmente em vigor;
  • 2,7°C: cenário de cumprimento dos compromissos climáticos incondicionais;
  • 2,6°C: cenário de cumprimento de todas as metas nacionais, incluindo as condicionais;
  • 2,1°C: cenário mais otimista, que considera também o cumprimento das metas de neutralidade de carbono de longo prazo.

Mesmo na projeção mais favorável, o aquecimento permaneceria acima do limite de 2°C previsto no Acordo de Paris.

Obstáculos à redução dos combustíveis fósseis

O relatório aponta que a redução das emissões enfrenta barreiras políticas, econômicas e tecnológicas. Entre os principais obstáculos estão a resistência de grandes emissores, os incentivos financeiros aos combustíveis fósseis e a dependência de infraestruturas baseadas em carvão, petróleo e gás natural.

Outro fator é o recuo de compromissos climáticos de grandes economias. O documento destaca mudanças na política climática dos Estados Unidos durante o governo de Donald Trump, incluindo o afastamento de compromissos internacionais e o enfraquecimento de medidas domésticas de combate às mudanças climáticas.

Segundo o relatório, essas decisões elevaram as projeções globais de emissões em cerca de 0,9 bilhão de toneladas de CO₂ equivalente em 2030 e 1,5 bilhão de toneladas em 2035, em comparação com estimativas anteriores. O impacto pode representar um aumento adicional de 0,1°C a 0,2°C na projeção de aquecimento global.

AgênciaModerna

As crises geopolíticas também dificultam a transição energética. Conflitos e interrupções no fornecimento de energia podem levar governos a adotar medidas emergenciais para conter os preços, como reativar usinas a carvão ou adiar o fechamento de instalações desse tipo.

Setores como a indústria pesada, a aviação e o transporte marítimo enfrentam desafios adicionais. A substituição de combustíveis fósseis nessas atividades depende de tecnologias específicas, investimentos elevados e soluções que ainda apresentam limitações de escala ou viabilidade econômica.

O crescimento da demanda global por energia também contribui para manter elevada a produção de petróleo e gás, dificultando a redução das emissões no ritmo necessário.

Energia renovável é apontada como oportunidade

Apesar do cenário, o PNUMA destaca que a expansão das fontes renováveis e o avanço de políticas climáticas em diferentes países podem ajudar a acelerar a transição energética.

Entre as medidas recomendadas estão a ampliação da capacidade global de geração de energia renovável, o aumento da eficiência energética e a redução da dependência de carvão, petróleo e gás. O relatório também defende acelerar a eletrificação dos transportes, da indústria e dos edifícios, além de reduzir as emissões de metano.

Para que a temperatura global retorne a 1,5°C até 2100, o documento estima que será necessário remover aproximadamente 320 bilhões de toneladas de CO₂ da atmosfera ao longo do século.

O PNUMA ressalta que a implementação imediata de medidas de mitigação e a ampliação de políticas climáticas bem-sucedidas podem limitar a ultrapassagem temporária do limite de 1,5°C. Para isso, será necessário acelerar os cortes de emissões, expandir as energias renováveis e remover grandes volumes de dióxido de carbono da atmosfera.

Fonte: IG Notícias

Gráfica e Editora Copbem, sempre causando uma boa impressão
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