
Especialistas afirmam que mercado americano representa menos de 16% das exportações brasileiras e classificam medida como política, não técnica.
A tarifa adicional de 25% imposta pelos Estados Unidos sobre o etanol brasileiro deve provocar impactos pontuais em empresas exportadoras, mas não representa uma ameaça significativa para a economia nacional. A avaliação é de especialistas ouvidos pela Agência Brasil, que destacam o peso cada vez menor do mercado norte-americano nas exportações do biocombustível.
Atualmente, os Estados Unidos respondem por menos de 16% do volume exportado pelo Brasil, enquanto mais de 84% das vendas têm como destino outros mercados internacionais. Em 2025, o país exportou cerca de 1,6 milhão de metros cúbicos de etanol, gerando quase US$ 1 bilhão em receitas, sendo apenas US$ 163 milhões provenientes do mercado americano.
Para especialistas, a tendência é que o Brasil intensifique a busca por novos parceiros comerciais. Além da diversificação dos mercados, o setor mantém uma vantagem competitiva baseada no menor custo de produção, maior produtividade agrícola e na crescente expansão do etanol de milho, cuja participação deve aumentar nos próximos anos.
Pesquisadores também avaliam que a decisão dos Estados Unidos tem forte componente político. Segundo eles, as justificativas apresentadas pelo governo norte-americano, como dificuldades de acesso ao mercado brasileiro, não encontram respaldo técnico nas regras da Organização Mundial do Comércio (OMC). Entidades do setor, como a União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica) e a União Nacional do Etanol de Milho (Unem), afirmam que a política brasileira para o etanol segue as normas internacionais e defendem que eventuais divergências sejam resolvidas por meio do diálogo.

Apesar da nova tarifa, especialistas acreditam que a competitividade do etanol brasileiro continuará sendo um diferencial para ampliar mercados e reduzir a dependência de compradores específicos.
Fonte: ABN



