
Mais de 33,4 milhões de eleitores não compareceram às urnas; TSE quer ampliar participação no segundo turno das eleições.
O primeiro turno das eleições de 2026 registrou 21% de abstenção, o maior índice em quase três décadas. O percentual não era tão alto desde 1998, quando chegou a 21,5%.
Ao todo, 33,4 milhões de eleitores deixaram de votar no domingo (4). Outros 125 milhões compareceram às urnas em todo o país.
O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Kassio Nunes Marques, afirmou que pretende trabalhar para reduzir a ausência no segundo turno. “Não é o ideal uma abstenção de 20%”, declarou.
A taxa de eleitores ausentes vem crescendo desde 2006, quando ficou em 16,8%, e permanece próxima dos 20% desde 2014. Em 2022, foram 32,7 milhões de faltosos no primeiro turno, o equivalente a 20,9%. No segundo turno daquele ano, o índice ficou em 20,5%.
Abstenção pode influenciar disputa presidencial
O primeiro turno também teve 2,2 milhões de votos em branco e 3,6 milhões de votos nulos. Na disputa presidencial, aproximadamente um em cada quatro eleitores não compareceu ou não escolheu nenhum dos candidatos.
No segundo turno, um aumento da participação ou dos votos válidos pode ter impacto direto no resultado da eleição para presidente.
Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) disputarão o segundo turno em 25 de outubro. Os dois protagonizaram uma das disputas mais apertadas desde a redemocratização, com diferença de apenas dois pontos percentuais no primeiro turno.
Por que tantos eleitores não votaram?
A abstenção costuma ser maior entre grupos com menor escolaridade, pessoas analfabetas e idosos. Em 2022, metade dos eleitores analfabetos não compareceu às urnas.

Entre os grupos para os quais o voto é facultativo, a ausência neste ano chegou a cerca de 50% entre eleitores com mais de 70 anos, enquanto ficou em torno de 20% entre jovens de 16 e 17 anos, segundo Nunes Marques.
Especialistas apontam diferentes fatores para explicar o aumento das faltas, como a baixa confiança nas instituições democráticas, o menor interesse pelo processo eleitoral e uma possível fadiga diante da repetição da polarização entre lulismo e bolsonarismo.
No exterior, a abstenção tradicionalmente é ainda maior. Na Alemanha, por exemplo, apenas 46,5% dos 41.552 eleitores aptos compareceram às urnas no primeiro turno.
Fonte: IG Notícias


