
Um estudo publicado nesta semana revelou que larvas conhecidas como supervermes podem se tornar uma alternativa eficiente, rápida e sustentável para a preparação de esqueletos destinados a museus e instituições científicas. Os insetos são capazes de remover completamente os tecidos moles de animais em poucas horas ou poucos dias, preservando até os ossos mais delicados.
Pesquisadores testaram o método em oito espécies, desde um morcego de apenas nove gramas até um lobo-cinzento de 4,2 quilos. Após a retirada da pele e dos órgãos, os animais foram colocados em contato com as larvas, que consumiram toda a carne, inclusive em regiões de difícil acesso.
Os resultados mostraram que o tempo de limpeza varia conforme o porte do animal. Enquanto pequenos mamíferos tiveram os esqueletos preparados em poucas horas, o lobo-cinzento exigiu cerca de 78 horas de trabalho, com substituição periódica das larvas para manter a eficiência do processo.
Segundo os cientistas, o segredo está na proporção entre a quantidade de larvas e o peso do animal. O excesso pode acelerar a limpeza, mas aumenta o risco de danos em ossos frágeis. A proporção considerada ideal varia entre 10 e 15 gramas de larvas para cada grama de tecido.
Atualmente, museus utilizam técnicas como decomposição natural, enterro ou produtos químicos para preparar esqueletos. Os supervermes surgem como uma alternativa de baixo custo, menor impacto ambiental e fácil manutenção. Além disso, como permanecem na fase larval durante o processo, evitam a proliferação de besouros adultos sobre as coleções.

Os pesquisadores destacam, porém, que o método exige controle rigoroso, principalmente em animais de pequeno porte. Em alguns testes iniciais, o excesso de larvas causou danos em crânios e costelas. Após o ajuste da quantidade utilizada, foi possível preservar até esqueletos extremamente delicados, como os de aves.
A pesquisa também recomenda manter as larvas cerca de 24 horas sem alimentação antes do uso para aumentar sua atividade e realizar todo o processo em ambientes bem ventilados. Os resultados indicam que a técnica pode representar um avanço importante para a preservação de coleções científicas e para o trabalho de museus de história natural.



